segunda-feira, 13 de agosto de 2012

QUE ALÍVIO !

          Ficar descalço, depois de tirar aquele sapato que apertou o seu pé. Fazer xixi, após muita procura para achar um banheiro na rua. Não quebrar o vaso preferido da mamãe ou de outra pessoa, mesmo tendo esbarrado nele, por estar correndo. Quando passamos por esses e outros sufocos, só dá vontade de falar: UFA!!!

          Eu tinha doze anos e participaria de uma peça de teatro amador, no salão da igreja que eu frequentava. O meu personagem era um dos principais (protagonista), portanto, a minha participação era grande e a minha fala, enorme. Mas estudei e decorei o texto e ensaiamos bastante com o responsável, Padre Rafael.

          Chegou a hora da apresentação! A cortina do palco estava ainda fechada. Espiei por uma fresta e vi que o salão estava lotado, à espera do espetáculo. Foi então que percebi que tinha esquecido o texto!

( E agora? Depois de tudo, a peça teria que ser cancelada? Adivinhem o que aconteceu no próximo capítulo! )



          Fiquei desesperada! Todos os colegas do elenco dependiam de mim. Tanto ensaio, tanta dedicação e a história era tão legal e engraçada! O público presente iria adorar. Eu lembrava do dinheiro dos ingressos para melhorar a igreja; teriam que ser devolvidos. O tempo que as pessoas na plateia desperdiçariam. Já pensava nos aplausos que eu perderia e nas vaias que eu ganharia.

          Comecei a suar e a me agitar. Vira para um lado, vira para o outro. De repente, acordei! Era tudo um sonho! Ou seria pesadelo?

          A realidade foi boa: à noite, deu tudo certo. Ninguém esqueceu coisa alguma, inclusive eu. Sucesso de público (todas as cadeiras ocupadas) e de crítica (aplaudiram de pé). Atores amadores não recebem pagamento, mas ganhamos um almoço maravilhoso, com um monte de coisas gostosas, oferecido por um casal de amigos da igreja, no dia seguinte. Todos queriam me conhecer, não a Regina atriz, mas...

          - Cadê a Pólvora? Cadê a Pólvora?

          "Pólvora" era o nome do meu personagem na peça: uma moça muito rabugenta e estourada. Mas ela não explodiu. Nem eu. Ufa!!! Que ALÍVIO!

                                                       F I M

( Gostaram? Então, palmas para mim!!! Até a próxima história. )